VoltarHome/Jurisprudência Previdenciária

PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO PAGO COM ATRASO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA A PARTIR DA CITAÇÃO VÁLIDA. TRF3. 0008097-07.2008.4.03.6105

Data da publicação: 12/07/2020 01:16:10

PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO PAGO COM ATRASO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA A PARTIR DA CITAÇÃO VÁLIDA. 1. A relação jurídica estabelecida entre o segurado e o INSS é de índole contratual, consistindo, para o trabalhador, na obrigação de efetuar os recolhimentos contributivos pelo tempo necessário, e, para a autarquia, na obrigação de pagar o benefício previdenciário devido quando satisfeitas as condições legais. 2. O inadimplemento da autarquia na relação contratual, em razão do indeferimento do pedido de aposentadoria formulado pela parte autora e da excessiva demora na análise do recurso administrativo por ela interposto, justifica a imposição de juros de mora sobre as parcelas do benefício pagas com atraso. 3. "Os juros de mora nas ações relativas a benefícios previdenciários incidem a partir da citação válida" (Súmula 204/STJ). 4. Remessa oficial e apelação providas em parte. (TRF 3ª Região, DÉCIMA TURMA, ApReeNec - APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA - 1409901 - 0008097-07.2008.4.03.6105, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL BAPTISTA PEREIRA, julgado em 12/07/2016, e-DJF3 Judicial 1 DATA:20/07/2016 )


Diário Eletrônico

PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO

D.E.

Publicado em 21/07/2016
APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA Nº 0008097-07.2008.4.03.6105/SP
2008.61.05.008097-0/SP
RELATOR:Desembargador Federal BAPTISTA PEREIRA
APELANTE:Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
ADVOGADO:SP183789 ADRIANO BUENO DE MENDONÇA e outro(a)
:SP000030 HERMES ARRAIS ALENCAR
APELADO(A):MARIO SERGIO BOERIZ
ADVOGADO:SP153313B FERNANDO RAMOS DE CAMARGO e outro(a)
REMETENTE:JUIZO FEDERAL DA 6 VARA DE CAMPINAS - 5ª SSJ - SP

EMENTA



PREVIDENCIÁRIO. BENEFÍCIO PAGO COM ATRASO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA A PARTIR DA CITAÇÃO VÁLIDA.
1. A relação jurídica estabelecida entre o segurado e o INSS é de índole contratual, consistindo, para o trabalhador, na obrigação de efetuar os recolhimentos contributivos pelo tempo necessário, e, para a autarquia, na obrigação de pagar o benefício previdenciário devido quando satisfeitas as condições legais.
2. O inadimplemento da autarquia na relação contratual, em razão do indeferimento do pedido de aposentadoria formulado pela parte autora e da excessiva demora na análise do recurso administrativo por ela interposto, justifica a imposição de juros de mora sobre as parcelas do benefício pagas com atraso.
3. "Os juros de mora nas ações relativas a benefícios previdenciários incidem a partir da citação válida" (Súmula 204/STJ).
4. Remessa oficial e apelação providas em parte.

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Egrégia Décima Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, por unanimidade, dar parcial provimento à remessa oficial e à apelação, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.


São Paulo, 12 de julho de 2016.
BAPTISTA PEREIRA
Desembargador Federal


Documento eletrônico assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que instituiu a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, por:
Signatário (a): PAULO OCTAVIO BAPTISTA PEREIRA:10021
Nº de Série do Certificado: 6231E403B18CBE0DFE0F711B98B6FCC3
Data e Hora: 12/07/2016 17:40:22



APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA Nº 0008097-07.2008.4.03.6105/SP
2008.61.05.008097-0/SP
RELATOR:Desembargador Federal BAPTISTA PEREIRA
APELANTE:Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
ADVOGADO:SP183789 ADRIANO BUENO DE MENDONÇA e outro(a)
:SP000030 HERMES ARRAIS ALENCAR
APELADO(A):MARIO SERGIO BOERIZ
ADVOGADO:SP153313B FERNANDO RAMOS DE CAMARGO e outro(a)
REMETENTE:JUIZO FEDERAL DA 6 VARA DE CAMPINAS - 5ª SSJ - SP

RELATÓRIO

Trata-se de remessa oficial e de apelação em ação proposta com o objetivo de compelir o réu a recalcular o valor das prestações de seu benefício pagas em atraso, relativas ao período de 05/12/2000 a 30/06/2006, "com aplicação da correção monetária integral, através dos índices legalmente estabelecidos, incidente desde o momento em que cada parcela tornou-se devida"; "aplicação de juros de mora acumulados desde o requerimento administrativo até o efetivo pagamento dos valores acumulados, sendo 1% ao mês conforme artigo 406 do Código Civil e § 1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional, em razão da injustificada mora na concessão do benefício"; e efetuar o pagamento das diferenças havidas desde o requerimento administrativo, "considerando para fins prescricionais a data da efetiva liberação do pagamento em concessão em 30/01/2008, acrescidas de juros e correção monetária, incidentes até a data do efetivo pagamento, mais honorários advocatícios na base de 20% (vinte por cento) sobre o valor da condenação".


O MM. Juízo a quo julgou parcialmente procedente o pedido para determinar a aplicação de juros de mora sobre os valores das parcelas em atraso do benefício do autor, consignando que "os juros devem ser contados desde a data em que devida cada parcela no percentual de 6% (seis por cento) ao ano, até 10/01/2003 (Lei nº 4.414/64, art. 1º, Código Civil/1916, artigos 1.062 e 1.536, §2º; Código de Processo Civil, artigo 219; Súmula 204/STJ); e a partir de 11/01/2003 no percentual de 1% ao mês (Código Civil/2002, artigos 405 e 406; Código Tributário Nacional, artigo 161, §1º, artigo 34, parágrafo único da Lei nº 8.212/91)", fixando a sucumbência recíproca.


Em seu apelo, a autarquia sustenta que, consoante o Art. 175, do Decreto 3.048/99, o pagamento administrativo dos valores em atraso não enseja a aplicação de juros de mora, mas tão somente a incidência de correção monetária. Caso assim não se entenda, requer que o termo inicial dos juros de moratórios seja fixado na data de citação, nos termos da Súmula 204/STJ.


Com contrarrazões, subiram os autos.


O presente recurso foi inicialmente distribuído à relatoria do e. Desembargador Federal Walter do Amaral, que foi sucedido pelo e. Desembargador Federal Nelson Porfirio, que declarou seu impedimento e determinou a redistribuição em 04.02.2016 (fls. 73).


É o relatório.


VOTO

Segundo consta dos autos, em 05/12/2000, o autor requereu sua aposentadoria e, em 11/2002, interpôs recurso administrativo contra a decisão que o indeferiu, julgado em 12/07/2005, pela Décima Quarta Junta de Recursos da Previdência Social, que lhe deu provimento, o que ensejou recurso por parte do INSS, julgado na data de 12/06/2006, pelo Conselho de Recursos da Previdência Social, que lhe negou provimento (fls. 15/19).


Após a referida tramitação administrativa, iniciou-se o pagamento das mensalidades do benefício, a partir de 29/07/2006 (DDB), tendo sido fixado o termo inicial na DER (05/12/2000), o que gerou o crédito relativo aos atrasados, os quais vieram a ser pagos em 28/01/2008 (fls. 43/44).


Insta verificar se o autor faz jus aos pleiteados juros de mora, conforme estabelecido em sentença.


Há que se observar que a relação jurídica firmada entre o segurado e o INSS é de índole contratual, consistindo, para o trabalhador, na obrigação de efetuar os recolhimentos contributivos pelo tempo necessário, e, para a autarquia, na obrigação de pagar o benefício devido quando satisfeitas as condições legais.


No caso concreto, fica evidente que o réu, de forma injustificada, negou-se a conceder o benefício requerido, somente vindo a fazê-lo após longo processo administrativo, privando-o do seu legítimo direito durante todo esse lapso temporal.


Noutros termos, inadimpliu com a sua parte na relação contratual ao indeferir o requerimento de aposentadoria formulado pela parte autora e postergar durante anos a análise do respectivo recurso administrativo.


Assim, em atenção às disposições contidas nos Arts. 394 e seguintes do Código Civil, que regem a aplicação da mora nos casos de inadimplemento obrigacional, cabível a incidência de juros moratórios sobre as parcelas do benefício pagas com atraso.


Todavia, quanto ao termo inicial, devem incidir a partir da citação válida, a teor do Art. 240, do CPC.


Nesse sentido, a interpretação consolidada no âmbito do c. Superior Tribunal de Justiça, consoante o enunciado da Súmula 204/STJ. In verbis:


"Súmula 204
OS JUROS DE MORA NAS AÇÕES RELATIVAS A BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS INCIDEM A PARTIR DA CITAÇÃO VÁLIDA".

Com o mesmo entendimento:


"PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. REVISIONAL DE BENEFÍCIOS. JUROS DE MORA. CITAÇÃO VÁLIDA. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS DÉBITOS EM ATRASO. LEI 6.899/81. TERMO INICIAL. RECURSO ESPECIAL.
1. As prestações previdenciárias pagas com atraso, em atenção à sua natureza alimentar, deve ser aplicada a taxa de juros de 1% ao mês, a contar da citação inicial válida. Precedentes da 3ª Seção.
2. Os benefícios devidos aos segurados da Previdência Social consubstanciam dívidas de valor, sujeitos à correção monetária integral desde a época em que devidos, ainda que pagos administrativamente.
3. Recurso Especial conhecido e parcialmente provido.
(REsp 307.540/PE, Rel. Ministro EDSON VIDIGAL, QUINTA TURMA, julgado em 19/04/2001, DJ 13/08/2001, p. 242);
PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. EFEITO INFRINGENTE. IMPOSSIBILIDADE.
- Segundo a moldura insculpida no art. 535, do CPC, os embargos de declaração consubstanciam instrumento processual destinada a expungir do julgamento obscuridades ou contradições, servindo, ainda, para suprir omissão sobre tema de pronunciamento obrigatório pelo Tribunal.
- Em tema de cobrança judicial de benefícios previdenciários, a egrégia Terceira Seção consolidou o entendimento jurisprudencial de que a correção monetária das parcelas pagas com atraso incide na forma prevista na Lei nº 6.899/81 e deve ser aplicada a partir do momento em que eram devidas, compatibilizando-se a aplicação simultânea das Súmulas 43 e 148, deste Tribunal.
- Na fixação do percentual dos juros moratórios em dívida resultante de benefício previdenciário pago com atraso, dado a sua natureza alimentar, os juros de mora devem incidir a partir da citação inicial, como preceituado pela Súmula nº 163, do STF, e no art. 219, do Código de Processo Civil.
- Embargos de declaração acolhidos. Recurso especial conhecido e nesta extensão provido.
(EDcl no REsp 180.787/CE, Rel. Ministro VICENTE LEAL, SEXTA TURMA, julgado em 30/06/1999, DJ 23/08/1999, p. 159); e
BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. JUROS DE MORA. SÚMULA 204/STJ.
Os juros de mora incidentes sobre os benefícios previdenciários pagos com atraso são devidos desde a data da citação válida (Sum. 204/STJ).
Recurso conhecido e provido".
(REsp 180.812/SE, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA, julgado em 13/10/1998, DJ 23/11/1998, p. 197)".

Nada a dispor sobre a correção monetária, porquanto a r. sentença confirmou os critérios adotados pelo réu quando do pagamento administrativo dos atrasados, não tendo o autor recorrido dessa decisão.


Quanto aos juros de mora, devem ser aplicados de acordo com o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal e, no que couber, observando-se o decidido pelo E. Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento da questão de ordem nas ADIs 4357 e 4425.


Os juros de mora incidirão até a data da expedição do precatório/RPV, conforme entendimento consolidado na c. 3ª Seção desta Corte (AL em EI nº 0001940-31.2002.4.03.610). A partir de então deve ser observada a Súmula Vinculante nº 17.


Sucumbência recíproca mantida, aplicando-se a regra contida no Art. 86 do CPC. A autarquia previdenciária está isenta das custas e emolumentos, nos termos do Art. 4º, I, da Lei 9.289/96, do Art. 24-A da Lei 9.028/95, com a redação dada pelo Art. 3º da MP 2.180-35/01, e do Art. 8º, § 1º, da Lei 8.620/93 e a parte autora, por ser beneficiária da assistência judiciária integral e gratuita, está isenta de custas, emolumentos e despesas processuais.


Ante o exposto, dou parcial provimento à remessa oficial e à apelação.


É o voto.


BAPTISTA PEREIRA
Desembargador Federal


Documento eletrônico assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que instituiu a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil, por:
Signatário (a): PAULO OCTAVIO BAPTISTA PEREIRA:10021
Nº de Série do Certificado: 6231E403B18CBE0DFE0F711B98B6FCC3
Data e Hora: 12/07/2016 17:40:26



O Prev já ajudou mais de 90 mil advogados em todo o Brasil.Acesse quantas petições e faça quantos cálculos quiser!

Teste grátis por 15 dias