83% das crianças do BPC estão na escola
Um mês após a divulgação inédita dos dados pelo governo federal, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) voltou ao centro das discussões. O levantamento mostrou que 83% das crianças e adolescentes beneficiários estão matriculados na escola em 2024, o maior índice desde a criação do programa BPC na Escola, em 2007.
Segundo o portal G1, ao todo,”são 870 mil jovens incluídos no sistema educacional, um avanço em relação aos anos anteriores”.
Evolução dos dados ao longo dos anos
O avanço da inclusão escolar de beneficiários do BPC mostra uma mudança estrutural:
- 2008: apenas 21% estavam na escola
- 2021: índice subiu para 65,3%
- 2022: cerca de 70% estavam matriculados
- 2024: número chega a 83% (recorde histórico)
A retomada do pareamento entre dados educacionais e sociais, feita pelo Ministério do Desenvolvimento Social e pelo Inep, foi fundamental para essa atualização.

O que é o BPC e quem tem direito?
O BPC é um benefício assistencial pago pelo INSS, no valor de um salário mínimo, destinado a idosos com 65 anos ou mais e pessoas com deficiência de qualquer idade
Para ter direito, é necessário comprovar baixa renda, sendo exigido que a renda por pessoa da família seja igual ou inferior a 1/4 do salário mínimo. Diferente da aposentadoria, o BPC não exige contribuição prévia ao INSS.
Criança tem direito ao BPC?
Sim, criança tem direito ao BPC, desde que cumpra os requisitos legais, pois o benefício é garantido a pessoas com deficiência de qualquer idade, o que inclui crianças.
Para a criança ter direito, é necessário comprovar dois pontos principais: a existência de deficiência e a condição de baixa renda da família. A deficiência não precisa ser necessariamente física, pode ser também intelectual, mental ou sensorial, desde que gere impedimentos de longo prazo que dificultem a participação plena na sociedade.
Além disso, a renda por pessoa da família deve ser, em regra, igual ou inferior a 1/4 do salário mínimo. Esse critério pode ser flexibilizado na Justiça, dependendo do caso concreto.
O que explica o avanço no número de crianças matriculadas?
Especialistas apontam que o crescimento está ligado a três fatores principais:
- Fortalecimento de políticas de inclusão escolar
- Maior integração entre bancos de dados do governo
- Atuação de municípios na busca ativa de alunos fora da escola
Mesmo assim, ainda há milhares de beneficiários sem matrícula, o que mantém o tema como prioridade.
Precisa contribuir para o INSS para receber o BPC?
Não. O BPC é um benefício assistencial, ou seja, não exige contribuição prévia ao INSS.
Quem recebe BPC pode estudar normalmente?
Sim. Inclusive, o programa BPC na Escola existe justamente para garantir que crianças e adolescentes beneficiários estejam matriculados e frequentando a escola.
O BPC pode ser cortado se a pessoa começar a trabalhar?
Depende. No caso da pessoa com deficiência, existe a possibilidade de suspensão (e não cancelamento) do benefício se houver ingresso no mercado de trabalho, podendo ser reativado em algumas situações. Cada caso deve ser analisado individualmente.
Quem recebe BPC pode receber outro benefício junto?
Em regra, não é permitido acumular o BPC com outros benefícios previdenciários ou assistenciais, salvo exceções específicas previstas em lei.
Por fim, apesar do avanço histórico, o principal desafio continua sendo identificar e incluir os beneficiários que ainda estão fora da escola.
O dado de 83% representa progresso, mas também evidencia que quase 1 em cada 5 crianças beneficiárias ainda não está na sala de aula, o que reforça a necessidade de continuidade das políticas públicas.
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Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.




