Ansiedade e depressão lideram os afastamentos previdenciários
Segundo dados da Previdência Social, em 2025, o número de afastamentos do trabalho relacionados a transtornos mentais e comportamentais chegou a 546.254 registros. O crescimento é de 15,66% em relação a 2024, quando foram contabilizados 472.328 afastamentos.
No mesmo período, o aumento geral dos benefícios por incapacidade temporária, considerando todas as doenças classificadas pela CID-10, foi de 15,19%. A diferença indica que os transtornos mentais mantiveram ritmo de crescimento igual ou superior à média das demais causas de incapacidade laboral.
Transtornos ansiosos concentram afastamentos
Entre as doenças classificadas no Capítulo V da CID-10, os transtornos ansiosos e os episódios depressivos permaneceram como as principais causas de afastamento por concessão de benefícios por incapacidade temporária em 2024 e 2025. Juntos, esses dois grupos responderam pela maior parcela das demandas previdenciárias relacionadas à saúde mental.
Em 2025, os transtornos ansiosos (CID F41) totalizaram 166.489 registros, enquanto os episódios depressivos (CID F32) somaram 126.608 afastamentos. O padrão de concentração se repete em relação aos transtornos depressivos recorrentes e ao transtorno afetivo bipolar, condições marcadas por curso prolongado e possibilidade de reincidência.

Ampliação da demanda por perícias médicas
Os dados mostram que a maior parte dos afastamentos por transtornos mentais ocorre no âmbito do benefício por incapacidade temporária, mesmo em casos de doenças com histórico de recorrência clínica. Em 2025, diagnósticos como transtorno bipolar, esquizofrenia e transtornos depressivos recorrentes figuraram entre os principais motivos de afastamento.
Esse padrão reforça a utilização reiterada da proteção previdenciária para condições cuja recuperação não segue parâmetros lineares, ampliando a demanda por perícias médicas, prorrogações e novos requerimentos ao longo do tempo.
Mulheres concentram quase dois terços dos afastamentos
A distribuição por sexo revela predominância feminina nos afastamentos relacionados à saúde mental. Em 2025, 63,46% dos registros foram atribuídos a mulheres, totalizando 346.613 afastamentos, contra 199.641 entre homens.
O percentual se manteve elevado em relação ao ano anterior, indicando estabilidade no perfil dos segurados que demandam cobertura previdenciária por transtornos mentais e comportamentais.
Estados com maior número de vínculos formais concentram afastamentos
A distribuição geográfica dos afastamentos mostra concentração nos estados com maior número de vínculos empregatícios formais. São Paulo liderou o volume de registros em 2025, com 149.375 afastamentos, seguido por Minas Gerais (83.321) e Rio Grande do Sul (46.738).
Outros estados com números expressivos incluem Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. O padrão indica que a demanda previdenciária por saúde mental acompanha a concentração de trabalhadores inseridos no mercado formal.
O crescimento contínuo dos afastamentos por transtornos mentais e comportamentais entre 2024 e 2025 indica a consolidação dessas condições como um dos principais fatores de incapacidade laboral no país. A concentração em poucos códigos da CID-10 e a recorrência dos afastamentos reforçam o impacto direto sobre a estrutura previdenciária.
Os dados apontam para a ampliação sustentada da demanda por proteção previdenciária relacionada à saúde mental, com efeitos diretos sobre a concessão, manutenção e revisão de benefícios por incapacidade temporária.
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Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.





