Comissão aprova regra que proíbe corte do BPC por posse de carro
A Comissão de Previdência da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4728/25, que busca impedir que a simples posse de um veículo leve à suspensão automática do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
A proposta, de autoria da deputada Dayany Bittencourt, altera regras da Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) para garantir uma análise mais justa da situação econômica dos beneficiários.
Posse de veículo não poderá ser critério automático
O texto aprovado estabelece que ter um carro, seja antes ou depois da concessão do benefício, não será mais motivo suficiente para cancelar ou negar o BPC.
A regra é clara: o benefício deve continuar sendo analisado com base nos critérios legais de renda e vulnerabilidade social, e não apenas na existência de um bem no patrimônio familiar.

Prática atual do INSS gera cortes automáticos
Hoje, o Instituto Nacional do Seguro Social realiza cruzamentos de dados e, ao identificar veículos registrados em nome do beneficiário ou da família, pode suspender o pagamento. Na prática, isso tem gerado cancelamentos automáticos, muitas vezes sem análise detalhada da realidade socioeconômica do segurado.
A autora do projeto defende que a simples existência de um veículo não reflete, necessariamente, melhora na condição financeira da família.
Segundo a justificativa, o carro pode ter origem em doações, heranças ou aquisições antigas, sem impacto na renda atual. Além disso, em muitos casos, especialmente para pessoas com deficiência, o veículo é essencial para locomoção e acesso a tratamentos de saúde.
A proposta reforça que a análise deve considerar o contexto completo, e não apenas dados patrimoniais isolados.
Relatora critica suspensão automática do benefício
A relatora, deputada Laura Carneiro, destacou que a existência de um carro não pode, por si só, justificar a suspensão do BPC.
Segundo ela, o veículo pode ser indispensável para inclusão social, mobilidade e cuidados médicos, especialmente em casos de pessoas com deficiência.
A parlamentar também ressaltou que o corte automático do benefício é uma medida extrema, que pode prejudicar justamente quem mais precisa da proteção assistencial.
Violação de garantias legais
O texto aprovado também chama atenção para possíveis violações a princípios constitucionais, como o contraditório e a ampla defesa.
Isso porque, em muitos casos, o benefício é suspenso sem que o beneficiário tenha a oportunidade de explicar a origem do bem ou demonstrar sua real condição de vulnerabilidade.
Próximos passos do projeto
O projeto ainda será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. Para se tornar lei, o texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Por fim, para a advocacia, a proposta reforça uma tese importante: a impossibilidade de utilizar critérios patrimoniais isolados para negar ou cessar o BPC.
Caso aprovada, a mudança pode reduzir cortes automáticos e fortalecer a necessidade de análise individualizada, abrindo espaço para atuação mais estratégica na defesa dos beneficiários.
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Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.




