Plataforma Pacifica gera debate sobre acordos previdenciários
A Plataforma Pacifica, desenvolvida pela Advocacia-Geral da União (AGU), tem sido apresentada como uma alternativa administrativa para resolver demandas previdenciárias de forma mais rápida, com o objetivo de reduzir a judicialização envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
No entanto, a utilização do sistema tem gerado debates entre especialistas sobre os impactos financeiros para os segurados. Entenda!
O que é a Plataforma Pacifica?
A Pacifica é uma plataforma voltada à formalização de acordos administrativos após a negativa de benefícios previdenciários pelo INSS. A proposta é permitir que o segurado receba o benefício sem a necessidade de ingressar com ação judicial, mediante um acordo celebrado com a União.
Segundo a AGU, o sistema busca conferir maior celeridade à resolução dos conflitos previdenciários e reduzir o volume de processos no Judiciário.

Redução de valores nos acordos administrativos
Especialistas apontam que, nos acordos realizados por meio da Pacifica, “é comum que o segurado não receba a totalidade dos valores que seriam devidos em caso de reconhecimento integral do direito”. Entre os pontos destacados estão a redução de valores atrasados e a exclusão de juros e encargos legais.
Essas condições são justificadas pela lógica do acordo, que prioriza a rapidez na concessão do benefício, mas podem resultar em valores inferiores aos previstos na legislação previdenciária.
Comparação com o CRPS
Outra via administrativa disponível ao segurado é o recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). Nesse caso, se houver reconhecimento do direito, o pagamento tende a observar o valor integral do benefício, com a inclusão dos atrasados devidos desde a data inicial do direito, devidamente corrigidos.
Diferentemente da Pacifica, o CRPS atua como instância revisora das decisões do INSS, analisando o mérito do indeferimento administrativo.
Atuação somente após a negativa do INSS
Um dos pontos que gera críticas é o fato de a Plataforma Pacifica atuar apenas após a negativa do benefício pelo INSS. Ou seja, o sistema não interfere na análise inicial do pedido, nem atua de forma preventiva para evitar indeferimentos considerados indevidos.
Com isso, o segurado só tem acesso à proposta de acordo depois de já ter sido prejudicado pela negativa administrativa.
Debate sobre judicialização e estrutura administrativa
O tema da judicialização previdenciária tem sido amplamente debatido no meio jurídico. Sobre o assunto, a advogada Gisele Kravchychyn publicou em seu Instagram a afirmação do Desembargador Federal Paulo Afonso Brum Vaz:
“O maior remédio para controlar a judicialização é o incremento das concessões na via administrativa. O aumento da judicialização é diretamente proporcional às negativas comprometidas com orientações institucionais de negar os direitos.”
Essa declaração reforça a visão de que o aumento de processos judiciais está ligado à qualidade das decisões administrativas iniciais.
Especialistas defendem fortalecimento do INSS e do CRPS
Para parte dos operadores do direito previdenciário, “a redução da litigiosidade passa pelo fortalecimento da estrutura administrativa do INSS e do CRPS”, com análises mais precisas desde o primeiro requerimento e correção integral dos valores quando o direito é reconhecido em grau recursal.
Assim, a Plataforma Pacifica é vista como uma ferramenta de resolução de conflitos, mas que não substitui a necessidade de melhorias estruturais no sistema previdenciário.
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Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.





