Previdência quer automatizar concessão para quem vence recurso
O Ministério da Previdência Social informou que estuda uma solução para acelerar a implantação de benefícios do INSS concedidos após recurso administrativo.
A proposta busca evitar que segurados que já venceram no Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) continuem esperando meses para receber.
Segundo informações divulgadas pela Folha de S.Paulo, há atualmente 336,8 mil processos com decisão favorável ao segurado no CRPS, mas que ainda aguardam a efetivação pelo INSS. Os casos envolvem tanto a concessão de novos benefícios quanto a revisão de valores de aposentadorias e pensões já existentes.
Segurado vence o recurso, mas ainda entra em outra fila
Hoje, quando o CRPS reconhece o direito do segurado, a decisão não é aplicada automaticamente. O processo retorna ao INSS e passa por uma etapa separada, na qual um servidor precisa concluir a implantação do benefício ou da revisão.

Na prática, isso significa que a pessoa pode obter uma decisão administrativa favorável e, ainda assim, permanecer sem pagamento ou sem o valor corrigido por um período adicional.
O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou que pediu à Dataprev e ao INSS o desenvolvimento de uma ferramenta tecnológica para tornar essa etapa automática. A mudança, porém, ainda não tem prazo definido para começar.
Prazo de 60 dias não tem sido cumprido na prática
O INSS tinha originalmente até 30 dias para dar cumprimento às decisões do CRPS. Neste ano, o prazo foi ampliado para 60 dias, mas os dados mostram que a espera real pode ser maior.
No segundo trimestre de 2026, o tempo médio da fase de conclusão, etapa posterior ao julgamento do recurso, chegou a 130 dias. Esse período representa o intervalo em que a decisão já foi tomada pelo conselho, mas ainda depende de providências do INSS para produzir efeito.
Processo administrativo pode se arrastar por anos
A demora na implantação ocorre no final de uma tramitação que já costuma ser longa. Entre abril e junho de 2026, os recursos levaram, em média, 48 dias para serem encaminhados pelo INSS ao CRPS.
Além disso, a etapa de diligências, como coleta e análise de documentos, registrou média de 1.413 dias, enquanto o julgamento no conselho levou cerca de 140 dias. Somente após todas essas fases começa a etapa de implantação.
A expectativa do governo é que a automação reduza o represamento de decisões já favoráveis e diminua a busca pela Justiça por segurados que, mesmo após vencerem o recurso administrativo, ainda não receberam o benefício.
O que fazer se o recurso no CRPS foi aceito?
O segurado deve acompanhar o andamento pelo Meu INSS, pela Central 135 ou junto à agência responsável pelo processo. Se houver demora excessiva após a decisão favorável, é recomendável buscar orientação de um advogado previdenciário para avaliar medidas administrativas ou judiciais cabíveis.
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Advogada (OAB/RS - 113.949). Graduada em Direito pela Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), de São Leopoldo (RS). Especializada em Direito Previdenciário pela Escola dos Juízes Federais do Rio Grande do Sul (ESMAFE/RS). Em 2018, atuou em um escritório no Vale dos Sinos como associada. Depois de dois anos, ingressou em um escritório em Porto Alegre, quando aprimorou seus conhecimentos por meio de atendimentos a Sindicatos da Região Metropolitana e com atuação em Previdências Privadas. Após três anos, passou a integrar a equipe do Previdenciarista, onde atua como consultora jurídica.




