Advogada explica atrasados do INSS em entrevista à rádio Banda B
A advogada e consultora jurídica do Previdenciarista, Thaís Bertuol Xavier, concedeu entrevista à rádio Banda B na última quinta-feira para esclarecer dúvidas comuns sobre benefícios do INSS, com foco nos chamados valores atrasados e na demora na análise dos pedidos.
Segundo a advogada, os valores atrasados correspondem ao período entre a data do pedido administrativo no INSS e o efetivo pagamento do benefício. Na prática, isso significa que, se o segurado já tinha direito ao benefício no momento em que fez o requerimento, ele deverá receber todos os valores desde essa data inicial. Veja o que foi falado na entrevista.
Quando surge o direito aos atrasados?
O direito aos valores retroativos começa a contar desde o primeiro dia de análise do INSS, desde que o trabalhador já tenha cumprido todos os requisitos para o benefício. Caso isso não tenha ocorrido na data do pedido, os valores passam a ser devidos a partir do momento em que os requisitos mínimos forem efetivamente preenchidos.
Por que o INSS demora para analisar os pedidos?
A especialista destacou que a demora na análise está ligada a uma combinação de fatores estruturais.

Entre eles, estão a alta demanda de requerimentos, o déficit de servidores e falhas na gestão dos processos. Dados mencionados durante a entrevista indicam que o INSS conta com cerca de 19 mil servidores ativos, enquanto o déficit chega a 23 mil profissionais, diante de um volume de aproximadamente 2,6 milhões de pedidos em análise.
O que fazer diante da demora?
De acordo com a advogada, o segurado pode optar por aguardar a análise automática do INSS, mas deve acompanhar o andamento do pedido para verificar possíveis exigências de documentação complementar.
Em alguns casos, é possível buscar a via judicial para acelerar o processo, como por meio de mandado de segurança ou ação para concessão, revisão ou restabelecimento de benefício.
Como acompanhar o pedido?
O acompanhamento pode ser feito pelo portal Meu INSS, com acesso por CPF e senha. A orientação é monitorar regularmente o andamento para evitar atrasos causados por pendências documentais.
Quando recorrer à Justiça?
A necessidade de acionar o Judiciário depende de cada situação concreta. Em geral, isso ocorre quando há negativa indevida do benefício, erro na análise ou demora excessiva na resposta do INSS.
A advogada ressaltou que, em muitos casos, é recomendável aguardar um prazo de até 90 dias antes de ingressar com ação, a depender do tipo de benefício solicitado.
Como funciona o pagamento em caso de revisão?
Quando há erro do INSS ou revisão do benefício, os valores atrasados são pagos da mesma forma que nas concessões iniciais. Após o reconhecimento do direito, seja administrativa ou judicialmente, o INSS libera o pagamento dos valores devidos.
Pagamento é feito de uma só vez
Os valores atrasados, segundo a especialista, são pagos em parcela única, e não de forma parcelada, o que pode representar um montante significativo ao segurado.
A advogada ainda explicou que existem dois prazos importantes. O prazo decadencial, de 10 anos, limita o período para solicitar a revisão do benefício, contado a partir do primeiro pagamento.
Já o prazo prescricional, de 5 anos, restringe o recebimento dos valores atrasados. Isso significa que, mesmo ao revisar um benefício antigo, o segurado terá direito apenas às parcelas dos últimos cinco anos, salvo exceções.
Principais erros cometidos pelos segurados
Entre os erros mais comuns estão a falta de documentação completa, a confiança exclusiva na análise do INSS sem verificação independente e a demora em buscar orientação jurídica especializada.
Informação pode acelerar o processo
A especialista destacou que muitos segurados desconhecem que podem agilizar seus pedidos ou recorrer à Justiça para garantir seus direitos.
Ela também ressaltou que ações previdenciárias mais simples podem ter uma duração relativamente curta, com média de seis a oito meses para decisão, especialmente na região do TRF4.
Orientação final ao trabalhador
Ao final da entrevista, Thaís Bertuol Xavier reforçou a importância de buscar orientação com profissionais especializados em direito previdenciário.
Ela também mencionou a plataforma Previdenciarista, que conecta segurados a advogados especializados em todo o Brasil, como uma alternativa para quem busca suporte qualificado na resolução de demandas junto ao INSS.
Compartilhe
Compartilhe com IA
Tópicos recomendados
Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.




