Lei amplia conceito de magistério e afeta aposentadoria
A Lei nº 15.326/2026 promoveu alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) ao ampliar o conceito de profissionais do magistério na educação básica, com especial destaque para a educação infantil.
A mudança reforça o princípio da integralidade entre cuidar, brincar e educar, reconhecendo que essas dimensões são indissociáveis no processo pedagógico.
Embora a alteração tenha natureza educacional, seus efeitos podem alcançar diretamente o direito previdenciário, especialmente no que diz respeito à possibilidade de aposentadoria pelas regras específicas dos professores.
Quem passa a ser alcançado pela nova definição?
Com a ampliação do conceito de magistério, a lei abre espaço para o enquadramento de profissionais que, até então, muitas vezes ficavam fora do reconhecimento formal como docentes. Na prática, isso pode abranger cargos como

- auxiliar de creche;
- auxiliar de educação infantil;
- técnico em desenvolvimento infantil e
- agente de suporte pedagógico infantil.
Desde que inseridos no contexto pedagógico da unidade escolar. A norma reconhece que, na educação infantil, o trabalho educativo não se limita à sala de aula tradicional, mas envolve cuidado, estímulo ao desenvolvimento e mediação pedagógica contínua.
Reflexos diretos na aposentadoria dos profissionais
Do ponto de vista previdenciário, a principal consequência da nova lei está na possibilidade de enquadramento desses profissionais nas regras de aposentadoria do magistério, que possuem requisitos diferenciados em relação à aposentadoria comum.
A aposentadoria do professor exige menor tempo de contribuição, mas somente é aplicada a quem comprove o efetivo exercício de funções de magistério na educação básica. Com a ampliação conceitual trazida pela Lei 15.326/2026, surge a discussão sobre o reconhecimento de atividades que antes não eram automaticamente consideradas como funções docentes.
Enquadramento não é automático e exige prova das atividades
Especialistas alertam que a alteração legal não gera direito automático à aposentadoria como professor. O simples nome do cargo não é suficiente para garantir o enquadramento previdenciário. O que costuma ser determinante na análise do INSS e do Judiciário é o conteúdo real das atividades exercidas.
Nesse contexto, ganham relevância elementos como a rotina diária do profissional, as atribuições formais previstas em lei ou regulamento interno, o vínculo com o projeto pedagógico da escola e o contexto em que o trabalho é desenvolvido, especialmente se há atuação direta no processo educacional da criança.
Importância da análise previdenciária individualizada
A nova lei tende a ampliar discussões administrativas e judiciais sobre o reconhecimento do tempo de contribuição como magistério. Por isso, profissionais da educação infantil que exercem funções de apoio pedagógico devem redobrar a atenção à documentação funcional, como contratos, descrições de cargo, planos pedagógicos e declarações da instituição de ensino.
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Advogado (OAB/RS 80.622). Fundador do Previdenciarista. Mestre em Direito Tributário pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra - FDUC, Portugal. Especialista em Direito Tributário pela Universidade de Caxias do Sul - UCS. MBA em Gestão Estratégica de Negócios na Escola Superior de Propaganda e Marketing - ESPM. Bacharel em Direito pelo Centro Universitário Franciscano - UNIFRA. Consultor de empresas formado pela Fundação Getúlio Vargas - FGV.





