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Motoboys de app sem INSS: advogada explica risco à família

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Se um motociclista de aplicativo morrer, a família poderá receber pensão por morte? A resposta depende de uma informação que muitos trabalhadores deixam para depois: se ele mantinha a qualidade de segurado do INSS na data do óbito.

O alerta ganha força diante dos dados do IBGE destacados pelo Portal Cultura, do UOL. Em 2025, o Brasil tinha cerca de 405 mil motociclistas que trabalhavam por aplicativos, mas apenas 79 mil, 19,4%, tinham cobertura previdenciária identificada na pesquisa.  

A família recebe pensão por morte se o motociclista não contribui?

De acordo com a advogada e consultora jurídica do Previdenciarista, Thaís Bertuol Xavier, “a família pode receber pensão por morte apesar do motociclista não contribuir, mas não é automático”. Em geral, o INSS exige que o trabalhador tivesse qualidade de segurado quando morreu e que o familiar comprove a condição de dependente.

Ainda segundo a advogada, parar de pagar uma contribuição não significa necessariamente perder a proteção no mesmo dia. “Existe o chamado período de graça, em que a pessoa pode continuar coberta por um prazo após deixar de contribuir”, complementa. O tempo varia conforme o histórico e a situação do segurado.

Motoboys de app sem INSS: advogada explica risco à família

Também há casos em que os dependentes podem ter direito à pensão se o trabalhador já havia preenchido os requisitos para se aposentar antes de morrer. Por isso, a análise depende do histórico previdenciário de cada pessoa.

O que os dados do IBGE mostram?

Dos cerca de 405 mil motociclistas de aplicativo contabilizados em 2025, aproximadamente 326 mil não tinham cobertura previdenciária identificada na pesquisa. 

O levantamento inclui quem faz transporte de passageiros e entregas por plataformas digitais.

O dado não permite concluir, sozinho, que todo trabalhador sem cobertura ficará sem benefício: alguém pode ter outra fonte de filiação ao INSS ou estar no período de graça. Ainda assim, mostra que a maior parte da categoria pode não estar protegida pela Previdência por meio de sua atividade nas plataformas.

O risco nas ruas também preocupa

Em São Paulo, 1.830 motociclistas morreram em acidentes de trânsito entre janeiro e agosto de 2026, segundo dados do Infosiga repercutidos pela imprensa. O número abrange motociclistas em geral, não apenas quem trabalha com aplicativos.

É nesse cenário que a falta de proteção previdenciária pode pesar para os dependentes. A pensão por morte pode representar uma fonte de renda para a família, desde que os requisitos do INSS sejam cumpridos.

Como o motociclista pode verificar se está protegido?

O primeiro passo é conferir o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) no Meu INSS e verificar se as contribuições e os vínculos de trabalho aparecem corretamente. Quem trabalha por conta própria pode contribuir como segurado individual, mas a forma de recolhimento deve ser definida de acordo com a atividade e a situação previdenciária.

Manter os dados e os comprovantes de pagamento organizados também ajuda a identificar falhas antes de um pedido de benefício.

Se o motociclista parar de contribuir, a família perde imediatamente o direito à pensão?

Pode haver período de graça, durante o qual a proteção previdenciária continua, mesmo sem novas contribuições. O prazo depende do caso.

Quem tem direito à pensão por morte?

Em regra, os dependentes de um segurado falecido podem pedir o benefício. O INSS analisa a qualidade de segurado de quem morreu e a condição de dependência de quem solicita.

Os 1.830 óbitos são todos de trabalhadores de aplicativo?

Não. O dado do Infosiga se refere a motociclistas em geral no estado de São Paulo. Não identifica quantos trabalhavam com entregas ou transporte por aplicativo.

Por fim, o que vale destacar não é apenas quantos motociclistas trabalham com aplicativos, mas quantos podem deixar a família sem uma proteção previdenciária ativa. 

Dessa forma, verificar a situação no CNIS e entender se ainda há qualidade de segurado pode fazer diferença para quem depende dessa renda.

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Sobre o Autor

Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.

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