Agentes de saúde pressionam Câmara por aposentadoria especial
Representantes dos agentes comunitários de saúde e de combate às endemias intensificaram a pressão sobre a Câmara dos Deputados para acelerar a votação do projeto que regulamenta a aposentadoria especial da categoria.
O pedido foi feito durante audiência pública na Comissão de Saúde, com foco na aprovação urgente do PLP 185/24 diretamente no Plenário.
Urgência na votação pode destravar proposta
Segundo nota da Câmara dos Deputados, a ouvidoria da Câmara tem recebido diversas denúncias sobre:
- Condições precárias de trabalho
- Falta de equipamentos de proteção
- Descumprimento de direitos previdenciários
- Problemas com o pagamento do piso salarial
Diante desse cenário, parlamentares devem se mobilizar para aprovar um requerimento de urgência já na próxima semana, o que permitiria a votação do projeto sem passar por todas as comissões.

Aposentadoria hoje pode significar queda drástica de renda
Um dos pontos mais críticos levantados na audiência foi o impacto financeiro da aposentadoria atual. De acordo com representantes da categoria, muitos agentes deixam de se aposentar para evitar perda de renda. Hoje, profissionais que recebem entre R$ 4 mil e R$ 5 mil podem passar a ganhar apenas um salário mínimo após a aposentadoria.
A avaliação de entidades como a Federação Nacional dos Agentes Comunitários de Saúde e de Combate às Endemias é que a aposentadoria especial seria essencial para corrigir essa distorção.
Sobrecarga e falta de profissionais agravam cenário
Durante o debate, também foram relatadas dificuldades estruturais no dia a dia da profissão.
Segundo representantes sindicais, a falta de profissionais tem gerado acúmulo de funções, obrigando agentes a desempenhar atividades além de suas atribuições, muitas vezes permanecendo horas extras nas unidades de saúde.
Ainda, apesar de a Lei 14.536/2023 ter reconhecido oficialmente os agentes como profissionais de saúde, os efeitos práticos ainda não alcançaram aposentados e pensionistas.
A regulamentação da aposentadoria especial é vista como o próximo passo para garantir direitos mais amplos à categoria.
Outras propostas também podem beneficiar a categoria
Além do PLP 185/24, outra medida em discussão é a PEC 18/2022, que propõe elevar o piso salarial dos agentes com formação técnica para três salários mínimos.
Essa proposta já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça e ainda precisa avançar nas próximas etapas legislativas.
Por fim, a votação do regime de urgência pode ser decisiva para acelerar a análise do projeto e atender uma demanda antiga da categoria.
Caso aprovado, o novo modelo de aposentadoria pode evitar perdas salariais significativas e reconhecer, na prática, o papel estratégico dos agentes no sistema público de saúde.
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Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.




