Bolsa Família sobe para R$ 691: quem recebe BPC também terá aumento?
O governo federal elevou o valor mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 por família.
A mudança foi oficializada pelo Decreto nº 13.120/2026 e produz efeitos financeiros a partir de 1º de outubro de 2026. Mas o reajuste não vale para todos os benefícios sociais: quem recebe apenas o Benefício de Prestação Continuada, o BPC/Loas, não terá o valor aumentado por causa dessa mudança.
O BPC continua vinculado ao salário mínimo. Em 2026, ele corresponde a R$ 1.621 por mês. Portanto, o novo piso do Bolsa Família não reduz, substitui nem acrescenta R$ 691 ao BPC. A dúvida é comum porque os dois programas atendem famílias de baixa renda e usam o Cadastro Único, mas cada um tem regras e fontes de reajuste próprios.
O que muda no Bolsa Família a partir de outubro?
O Decreto nº 13.120/2026 corrigiu os benefícios financeiros do programa pela variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. Com a alteração, o valor mínimo garantido por família passa a ser de R$ 691.

Também foram atualizados os valores usados na composição do benefício. O Benefício de Renda de Cidadania passa a R$ 164 por pessoa; o Benefício Primeira Infância, destinado a crianças de até 7 anos incompletos, vai para R$ 173; e o Benefício Variável Familiar passa a R$ 58 para cada integrante que se enquadre nas regras do programa, como gestantes, nutrizes, crianças e adolescentes nas faixas previstas.
Quem recebe BPC também terá aumento?
Não em razão do reajuste do Bolsa Família. O BPC garante o pagamento mensal de um salário mínimo à pessoa idosa com 65 anos ou mais e à pessoa com deficiência que cumpram os requisitos legais de renda e, no caso da pessoa com deficiência, de avaliação da deficiência. Como o salário mínimo de 2026 é de R$ 1.621, esse é o valor atual do BPC.
O próximo aumento do BPC dependerá de um novo reajuste nacional do salário mínimo. O Decreto que elevou o Bolsa Família a R$ 691 não modificou o salário mínimo nem a regra do BPC.
Atenção: quem recebe somente BPC não passará a receber R$ 691 extras. O Bolsa Família é devido apenas à família que for elegível ao programa.
É possível receber BPC e Bolsa Família ao mesmo tempo?
Pode ser possível, mas não é automático. O recebimento do BPC não impede, por si só, que a família seja analisada para o Bolsa Família. Porém, a Lei nº 14.601/2023 determina que o valor do BPC recebido por qualquer integrante compõe a renda familiar por pessoa no cálculo de entrada no Bolsa Família.
Para ingressar no programa do Bolsa Família, a família precisa estar inscrita no CadÚnico e ter renda familiar mensal de até R$ 218 por pessoa, além de cumprir as demais regras. Em outras palavras, o fato de uma pessoa da casa receber BPC será considerado no cálculo, junto com as demais rendas e com o número de integrantes da família.
Um exemplo ajuda a entender: em uma família de oito pessoas sem outras rendas, um BPC de R$ 1.621 representa cerca de R$ 202,63 por pessoa. Nessa hipótese, a renda por pessoa pode ficar abaixo do limite de R$ 218 do Bolsa Família. Já em uma família menor, o mesmo BPC tende a elevar a renda por pessoa acima desse teto. A análise, entretanto, depende dos dados reais informados no CadÚnico.
O aumento do Bolsa Família pode interferir no BPC?
O aumento não altera o valor mensal do BPC, que continua sendo de um salário mínimo. Mas pode ter reflexos na análise de renda de quem está pedindo ou mantendo o benefício assistencial.
O Decreto nº 12.534/2025 alterou o regulamento do BPC e revogou a previsão que excluía, de forma expressa, os valores de programas sociais de transferência de renda do cálculo da renda familiar. Por isso, o Bolsa Família pode ter relevância na análise do BPC, especialmente quando a renda da família está próxima do critério legal.
Isso não autoriza conclusões automáticas sobre perda ou concessão do BPC. A avaliação deve considerar a composição familiar, as rendas que a lei manda excluir e as circunstâncias concretas de vulnerabilidade. O mais importante é manter o CadÚnico atualizado e não omitir mudanças de renda ou de pessoas que vivem na residência.
O que a família deve fazer agora?
Quem já recebe Bolsa Família não precisa solicitar o reajuste: os novos valores passam a valer na folha de outubro para as famílias que permanecem elegíveis. O CadÚnico pode receber atualizações de renda por cruzamento de dados públicos, mas isso não significa que todos os dados da família serão alterados automaticamente.
Para quem depende do BPC, também é importante acompanhar as notificações do INSS e confirmar se as informações do CadÚnico estão corretas. Mudanças de endereço, composição familiar, escola ou outras informações declaradas devem ser comunicadas pelo responsável familiar, mesmo que alguma renda tenha sido atualizada pelo sistema.
Quem recebe BPC passará a receber R$ 691?
Não. R$ 691 é o novo valor mínimo do Bolsa Família, e não um adicional pago ao titular do BPC. Em 2026, o BPC continua no valor de R$ 1.621, equivalente ao salário mínimo vigente.
Uma pessoa com BPC pode entrar no Bolsa Família?
O benefício não dá entrada automática no Bolsa Família, mas a família pode ser elegível se cumprir as regras do programa. O BPC entra no cálculo da renda por pessoa, por isso o número de integrantes da família e as demais rendas fazem diferença.
O Bolsa Família aumentado será considerado no pedido de BPC?
Pode ter impacto na análise da renda familiar. O reajuste não muda o valor do BPC, mas os dados sobre Bolsa Família e outras rendas devem estar corretos no CadÚnico e no requerimento do benefício assistencial.
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Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.




