Pagamento ao INSS é confundido com renda em pedido de BPC
Uma pessoa idosa conseguiu reverter a negativa do BPC/LOAS depois que o Conselho de Recursos da Previdência Social identificou um problema no cálculo da renda. A decisão estabeleceu que os valores usados como base para contribuições facultativas ao INSS não comprovam, por si só, que o requerente tenha recebido aquela quantia.
O benefício havia sido negado porque o INSS considerou que a renda familiar por pessoa ultrapassava o limite previsto em lei. Após consultar o CadÚnico, o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) e o Sistema Único de Benefícios, a Junta de Recursos concluiu que a renda computável estava dentro do critério exigido.
Com isso, o recurso foi aceito e o BPC deverá ser concedido desde a data do pedido.
Por que a contribuição facultativa mudou a decisão?
O ponto que chama atenção no julgamento é a diferença entre contribuição previdenciária e renda efetivamente recebida.

A pessoa que contribui como segurada facultativa escolhe um valor sobre o qual fará o recolhimento ao INSS. Isso não significa, necessariamente, que tenha recebido aquele montante como salário ou remuneração.
Por essa razão, o Conselho entendeu que os salários de contribuição do segurado facultativo não devem ser tratados automaticamente como rendimento no cálculo da renda familiar do BPC.
Na prática, considerar essa base de contribuição como renda poderia elevar artificialmente o valor encontrado nos sistemas e provocar a negativa indevida do benefício.
A decisão não impede que o INSS verifique a existência de trabalho, renda informal ou outras fontes de recursos. O que ela afasta é a presunção de que o simples pagamento de uma contribuição facultativa comprova renda mensal.
INSS havia negado o BPC por renda acima do limite
O Cadastro Único da requerente havia sido atualizado em 20 de fevereiro de 2026. O documento indicava um grupo familiar formado por uma pessoa e registrava renda mensal de R$ 600.
Durante o processo, a Junta de Recursos solicitou esclarecimentos. O voto informa que a requerente optou pelo BPC em substituição ao Bolsa Família. Depois da conferência das informações nos sistemas oficiais, o Conselho concluiu que a renda considerada na data do requerimento era igual ou inferior a um quarto do salário mínimo.
Em 2026, o salário mínimo é de R$ 1.621. Portanto, o limite objetivo de um quarto corresponde a R$ 405,25 por integrante da família.
O caso não significa que toda pessoa que mora sozinha e possui renda de R$ 600 terá direito ao BPC. O resultado depende da origem do valor registrado, da renda efetivamente recebida na data do pedido e dos valores que podem ou não ser considerados.
Quem recebe Bolsa Família pode conseguir o BPC?
Atualmente, uma pessoa pode receber Bolsa Família e BPC ao mesmo tempo. O valor do Bolsa Família, entretanto, é computado no cálculo da renda familiar para a concessão e a manutenção do benefício assistencial.
De acordo com as orientações do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, a acumulação só é possível quando a renda por pessoa, incluindo a transferência de renda, não ultrapassa um quarto do salário mínimo.
No processo analisado, o voto registra que a requerente escolheu o BPC em substituição ao programa de transferência de renda. Esse detalhe foi considerado na verificação da situação econômica.
Quais valores não entram no cálculo da renda do BPC?
Nem todo valor identificado nos cadastros públicos deve ser incluído na renda familiar.
A legislação permite desconsiderar, entre outros valores, bolsas de estágio supervisionado, rendimentos de contrato de aprendizagem, auxílio financeiro temporário ou indenização relacionada ao rompimento e colapso de barragens, além do auxílio-inclusão e de determinadas remunerações recebidas por seus beneficiários.
Outro BPC recebido por integrante da mesma família também pode ser desconsiderado. A regra pode alcançar ainda um benefício previdenciário de até um salário mínimo recebido por pessoa com deficiência ou por pessoa idosa com 65 anos ou mais.
No caso julgado, o Conselho acrescentou um ponto relevante: recolhimentos como segurado facultativo não devem ser confundidos com rendimentos recebidos pela família.
BPC será pago desde a data do pedido
A Junta de Recursos determinou que o benefício seja concedido desde a Data de Entrada do Requerimento, conhecida como DER.
Isso aconteceu porque os documentos usados para reconhecer o direito já estavam no processo original. Não foram apresentadas novas provas somente na fase do recurso.
Assim, o Conselho entendeu que a pessoa idosa já preenchia os requisitos quando solicitou o BPC, e não apenas quando recorreu da negativa.
Quem tem direito ao BPC para pessoa idosa?
O BPC garante o pagamento mensal de um salário mínimo à pessoa com 65 anos ou mais que não tenha meios de garantir a própria manutenção nem de recebê-la de sua família.
Além da idade, o requerente precisa atender ao critério de renda, estar inscrito no CadÚnico e manter os dados familiares atualizados. As regras estão previstas no artigo 20 da Lei Orgânica da Assistência Social.
O BPC não é aposentadoria. Por isso, não exige um número mínimo de contribuições ao INSS, mas também não paga 13º salário nem deixa pensão por morte.
BPC negado pelo INSS pode ser recuperado por recurso?
A pessoa que teve o BPC negado pode apresentar recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social.
No caso analisado, o recurso foi considerado dentro do prazo porque havia sido protocolado em até 30 dias após a decisão do INSS. A regra consta no Regimento Interno do CRPS, aprovado pela Portaria MPS 125/2026.
A decisão é administrativa e considera as circunstâncias específicas do processo. Mesmo assim, chama atenção para um erro que pode afetar outros pedidos: usar a contribuição facultativa como se fosse prova automática de renda.
Número do Processo Administrativo: 44233.720259/2026-50.
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Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.




