Câmara aprova INSS obrigatório para pós-graduandos
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que torna obrigatória a contribuição previdenciária de bolsistas de pós-graduação no Brasil. A proposta inclui mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos como segurados do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), garantindo acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. O texto segue agora para análise do Senado.
Como será a contribuição?
De acordo com o projeto, a contribuição será feita pela instituição que concede a bolsa, com uma alíquota de 11% sobre um salário mínimo.
Com esse recolhimento, os bolsistas terão direito à aposentadoria por idade e demais benefícios previdenciários. Caso queiram acessar a aposentadoria por tempo de contribuição ou utilizar esse período em outros regimes, será necessário complementar a contribuição com mais 9%, totalizando 20%.
Quem será beneficiado?
A medida vale para bolsistas com 16 anos ou mais vinculados a programas de pós-graduação reconhecidos pela Capes, incluindo aqueles que estudam no Brasil ou no exterior.

Também serão contemplados pesquisadores em nível de pós-doutorado com bolsas concedidas por agências oficiais. A estimativa é que cerca de 120 mil bolsistas sejam alcançados pela medida.
Regras sobre bolsas e valores
O projeto mantém a isenção de Imposto de Renda sobre as bolsas. Além disso, prevê mecanismos para evitar a redução no valor líquido recebido pelos bolsistas após o início da cobrança previdenciária.
Outro ponto importante é que, no ano seguinte à vigência da futura lei, o governo federal não poderá reduzir o número nem o valor das bolsas concedidas por agências federais.
Quando passa a valer?
A cobrança da contribuição previdenciária dependerá de regulamentação do Poder Executivo e deverá respeitar o prazo mínimo de 90 dias (noventena) após a publicação da lei.
Ou seja, mesmo após eventual aprovação no Senado, a medida não terá aplicação imediata.
Bolsistas precisam contribuir para se aposentar?
Hoje, bolsistas de pós-graduação não são obrigados a contribuir com o INSS. Eles são considerados segurados facultativos, ou seja, só contribuem se quiserem. Na prática, muitos não contribuem, o que significa que ficam sem direito a benefícios previdenciários, como aposentadoria, auxílio-doença ou salário-maternidade.
Se o projeto virar lei, isso muda completamente. Os bolsistas passam a ser segurados obrigatórios, e a contribuição será feita automaticamente pela instituição que paga a bolsa, com uma alíquota de 11% sobre o salário mínimo.
Isso garante acesso à aposentadoria, mas com uma condição: nesse formato, o direito será apenas à aposentadoria por idade.
Caso o bolsista queira acessar outras modalidades, como a aposentadoria por tempo de contribuição ou aproveitar esse período em outro regime (como o de servidor público), será necessário complementar a contribuição com mais 9%, chegando ao total de 20%.
- Não será possível se aposentar sem contribuir
- A contribuição passa a ser automática e obrigatória
- O tipo de aposentadoria dependerá do valor total contribuído
Ou seja, o projeto não elimina a contribuição, ele garante que ela aconteça, justamente para assegurar proteção previdenciária aos bolsistas.
Pontos de atenção
Apesar do avanço, alguns pontos ainda geram debate:
- O projeto ainda precisa ser aprovado pelo Senado para virar lei
- A forma de implementação depende de regulamentação do governo
- Há preocupação com possível impacto no valor líquido das bolsas, embora o texto preveja ajustes para evitar perdas
A proposta busca corrigir uma lacuna histórica na proteção social de pesquisadores brasileiros, que atualmente ficam à margem da Previdência mesmo exercendo atividades de dedicação exclusiva.
Além de ampliar a segurança desses profissionais, a medida também pretende fortalecer a carreira acadêmica, reduzindo a evasão de talentos e incentivando o desenvolvimento científico no país.
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Jornalista formado na Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing Digital. Jornalista no Previdenciarista. Redator e curador de conteúdo na newsletter PrevNews. Marketing Jurídico.




