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PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO CIVIL. APOSENTADORIA. RECONHECIMENTO DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. ATIVIDADE REALIZADA EM AMBIENTE HOSPITALAR. EXPOSIÇÃO A AGENTES...

Data da publicação: 14/08/2020, 09:55:36

EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO CIVIL. APOSENTADORIA. RECONHECIMENTO DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. ATIVIDADE REALIZADA EM AMBIENTE HOSPITALAR. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS BIOLÓGICOS. HABITUALIDADE E PERMANÊNCIA. 1. O reconhecimento da especialidade e o enquadramento da atividade exercida sob condições especiais são disciplinados pela lei em vigor à época em que efetivamente prestada, passando a integrar, como direito adquirido, o patrimônio jurídico do trabalhador. 2. A avaliação da nocividade do trabalho em contato com agentes biológicos é qualitativa, ou seja, a simples presença no ambiente profissional desses agentes faz reconhecer a sua existência que prescinde, pois, de mensuração. 3. A atividade não relacionada diretamente com a enfermagem, mas que exija o contato com pacientes portadores de doenças infectocontagiosas ou com manuseio de materiais contaminados, é considerada prejudicial, não importando o tempo de exposição aos agentes biológicos, nem a concentração ou intensidade desses agentes no ambiente de trabalho. (TRF4 5000534-35.2015.4.04.7128, QUINTA TURMA, Relator OSNI CARDOSO FILHO, juntado aos autos em 06/08/2020)

Poder Judiciário
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO

Apelação/Remessa Necessária Nº 5000534-35.2015.4.04.7128/RS

RELATOR: Desembargador Federal OSNI CARDOSO FILHO

APELANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS (RÉU)

APELADO: FELISBINO LISBOA BOEIRA (AUTOR)

RELATÓRIO

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) interpôs apelação contra sentença publicada em 18.12.2015 (evento 32, SENT1), na qual o magistrado de origem julgou parcialmente procedente o pedido nos seguintes termos:

"DISPOSITIVO

Ante o exposto,

a) no que concerne ao período de 07/04/1994 a 01/12/1994, JULGO EXTINTO O FEITO, sem resolução de mérito, por ilegitimidade passiva, com fulcro no art. 267, VI, do CPC; e

b) quanto ao restante, rejeito as demais preliminares arguidas pelo réu e JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE os pedidos formulados nos autos para o efeito de:

(1) reconhecer que a parte autora exerceu atividade de trabalho sob condições especiais nos períodos de 01/07/1981 a 31/07/1981, de 01/09/1981 a 30/11/1981, de 01/02/1982 a 28/02/1982, de 01/06/1982 a 31/08/1982, de 01/11/1982 a 31/07/1983, de 01/09/1983 a 30/11/1984, de 17/09/1991 a 31/07/1993 e de 01/11/2001 a 01/08/2002, de 01/10/2009 a 31/03/2012, de 02/04/2012 a 21/12/2012, de 11/08/2014 a 13/01/2015 (fator de conversão 1,4);

(2) determinar ao réu proceder à averbação dos períodos correspondentes como tempo de serviço especial.

Ante a sucumbência recíproca das partes, reputo compensados honorários advocatícios de sucumbência.

Deixo de condenar o réu ao adimplemento das custas, devido à isenção legal. No entanto, o INSS deverá restituir 50% dos valores das custas iniciais adiantadas pela parte autora.

Sentença publicada e registrada eletronicamente. Intimem-se.

Sentença sujeita a reexame necessário (art. 475, I, do Código de Processo Civil)."

O INSS, em suas razões de apelação, defende não ser possível o reconhecimento da atividade especial em relação aos períodos de 01/07/1981 a 31/07/1981, de 01/09/1981 a 30/11/1981, de 01/02/1982 a 28/02/1982, de 01/06/1982 a 31/08/1982, de 01/11/1982 a 31/07/1983, de 01/09/1983 a 30/11/1984, uma vez que não houve a comprovação da atividade de médico. Alega que, nesses períodos, a parte autora verteu contribuições como contribuinte individual, não existindo vinculação trabalhista com o Hospital Bom Jesus. Defende não ser possível o reconhecimento da atividade especial em relação ao período de 01/09/2014 a 13/01/2015, uma vez que se trata de sentença ultra petita, visto que esses períodos não haviam sido reconhecidos como tempo comum na via administrativa. Alega que não há pedido ou causa de pedir para que esses períodos sejam reconhecidos e computados como tempo comum. Sustenta que não é possível o reconhecimento desses períodos. Defende não ser possível o reconhecimento da especialidade em relação aos períodos de 01/11/2001 a 01/08/2002, de 01/10/2009 a 31/03/2012, de 02/04/2012 a 21/12/2012, de 11/08/2014 a 13/01/2015, uma vez que está ausente a especialidade por exposição a agentes biológicos. Aponta a utilização de EPIs eficazes (evento 36, APELAÇÃO1).

Presentes as contrarrazões (evento 53, CONTRAZAP1) e realizada a remessa oficial, vieram os autos a este tribunal.

VOTO

Tempo de atividade especial

O reconhecimento da especialidade obedece à disciplina legal vigente na época em que a atividade foi exercida, passando a integrar, como direito adquirido, o patrimônio jurídico do trabalhador. Desse modo, havendo a prestação laboral sob a vigência de certa legislação, o segurado adquire o direito à contagem do tempo de serviço especial na forma estabelecida, bem como à comprovação das condições de trabalho como então exigido, não se aplicando retroativamente lei nova que venha a estabelecer restrições à admissão do tempo de serviço especial. Nesse sentido, a orientação adotada pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (AR 3320/PR, Relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, DJe 24-09-2008) e pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (EINF 2005.71.00.031824-5/RS, Terceira Seção, Luís Alberto D'Azevedo Aurvalle, D.E. 18-11-2009).

A evolução legislativa da matéria apresenta os seguintes marcos temporais:

a) até 28 de abril de 1995, quando esteve vigente a Lei nº 3.807/1960 (Lei Orgânica da Previdência Social) e suas alterações e, posteriormente, a Lei nº 8.213/1991 (Lei de Benefícios da Previdência Social), em sua redação original (artigos 57 e 58), a especialidade do tempo de serviço decorria do exercício de atividade profissional prevista como especial nos Decretos nº 53.831/1964 e nº 83.080/1979 e/ou na legislação especial. As normas regulamentares classificavam as atividades de duas formas: segundo os grupos profissionais, presumindo-se a sujeição do trabalhador a condições prejudiciais à saúde ou à integridade física; e segundo os agentes nocivos, caso em que deve ser demonstrada a exposição ao agente por qualquer meio de prova. Para os agentes nocivos ruído e calor, é necessário mensurar os seus níveis por meio de perícia técnica, documentada nos autos ou informada em formulário emitido pela empresa, a fim de verificar o grau de nocividade dos agentes envolvidos;

b) entre 29 de abril de 1995 a 05 de março de 1997, período em que estavam vigentes as alterações introduzidas pela Lei nº 9.032/1995 no artigo 57 da LBPS, torna-se necessária a demonstração efetiva da exposição, de forma permanente, não ocasional nem intermitente, a agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, por qualquer meio de prova, considerando-se suficiente, para tanto, a apresentação de formulário-padrão preenchido pela empresa, sem a exigência de embasamento em laudo técnico, ressalvados os agentes nocivos ruído e calor, em relação aos quais é imprescindível a realização de perícia técnica, conforme visto acima. Foi definitivamente extinto o enquadramento por categoria profissional - à exceção das atividades a que se refere a Lei nº 5.527/1968, cujo enquadramento por categoria deve ser feito até 13 de outubro de 1996, data imediatamente anterior à publicação da Medida Provisória nº 1.523/1996, que a revogou expressamente;

c) a partir de 06 de março de 1997, data da entrada em vigor do Decreto nº 2.172/1997, que regulamentou as disposições introduzidas no artigo 58 da LBPS pela Medida Provisória nº 1.523/1996 (convertida na Lei nº 9.528/1997), passou a ser exigida, para fins de reconhecimento de tempo de serviço especial, a comprovação da efetiva sujeição do segurado a agentes agressivos por meio da apresentação de formulário-padrão, embasado em laudo técnico de condições ambientais do trabalho, ou por meio de perícia técnica.

Para que se caracterize a habitualidade e a permanência do tempo de trabalho em condições especiais prejudiciais à saúde ou à integridade física (referidas no artigo 57, §3º, da Lei n° 8.213/91), a exposição ao agente nocivo deve ser ínsita ao desenvolvimento das atividades cometidas ao trabalhador, integrada à sua rotina de trabalho. Exegese diversa levaria à inutilidade da norma protetiva, pois em raras atividades a sujeição direta ao agente nocivo se dá durante toda a jornada de trabalho e, em muitas delas, a exposição em tal intensidade seria absolutamente impossível (EINF n.º 0003929-54.2008.404.7003, TRF 4ª Região, 3ª Seção, Rel. Des. Federal Rogério Favreto, D.E. 24-10-2011; EINF n.º 2007.71.00.046688-7, TRF 4ª Região, 3ª Seção, Rel. Des. Federal Celso Kipper, D.E. 07-11-2011). Em suma, somente se a exposição ao agente nocivo for eventual ou ocasional, está afastada a especialidade do tempo de serviço.

Além disso, conforme o tipo de atividade, a exposição ao agente nocivo, ainda que não diuturna, configura atividade apta à concessão de aposentadoria especial, tendo em vista que a intermitência na exposição não reduz os danos ou riscos inerentes à atividade. Não é razoável que se retire do trabalhador o direito à redução do tempo de serviço para a aposentadoria, deixando-lhe apenas os ônus da atividade perigosa ou insalubre (EINF n° 2005.72.10.000389-1, TRF 4ª Região, 3ª Seção, Rel. Des. Federal João Batista Pinto Silveira, D.E. 18-05-2011; EINF n° 2008.71.99.002246-0, TRF 4ª Região, 3ª Seção, Rel. Des. Federal Luís Alberto D'Azevedo Aurvalle, D.E. 08-01-2010).

A respeito da utilização de equipamento de proteção individual (EPI), a partir de 03/12/1998, data da publicação da MP nº 1.729, convertida na Lei nº 9.732, que modificou a redação dos §§ 1º e 2º do art. 58 da Lei nº 8.213/1991, a legislação previdenciária estabelece que a existência de tecnologia de proteção individual eficaz, que comprovadamente neutralize os agentes nocivos ou diminua a sua intensidade a limites de tolerância, afasta o efetivo prejuízo à saúde ou integridade física do trabalhador, razão pela qual a atividade não pode ser qualificada como especial.

O Supremo Tribunal Federal, em julgado com repercussão geral, firmou entendimento no sentido de que, se o EPI for realmente capaz de neutralizar a nocividade, não há direito à aposentadoria especial. Contudo, havendo demonstração de que o uso do EPI, no caso concreto, não é suficiente para afastar a nocividade, deve ser reconhecida a especialidade do trabalho. Em relação ao ruído, o STF considerou que a exposição a níveis superiores aos limites de tolerância causa prejuízos ao organismo humano que vão além dos relacionados à perda das funções auditivas. Assim, a utilização do EPI não garante a eliminação dos efeitos do agente nocivo ruído, pois existem fatores de difícil ou impossível controle que influenciam a sua efetividade. Esta é a redação da tese firmada no Tema nº 555:

I - O direito à aposentadoria especial pressupõe a efetiva exposição do trabalhador a agente nocivo a sua saúde, de modo que, se o Equipamento de Proteção Individual (EPI) for realmente capaz de neutralizar a nocividade, não haverá respaldo constitucional à aposentadoria especial; II - Na hipótese de exposição do trabalhador a ruído acima dos limites legais de tolerância, a declaração do empregador, no âmbito do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), da eficácia do Equipamento de Proteção Individual (EPI), não descaracteriza o tempo de serviço especial para aposentadoria. (ARE 664335, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 04/12/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-029 DIVULG 11-02-2015 PUBLIC 12-02-2015)

Uma vez que se incorpora ao patrimônio jurídico do trabalhador a prestação de trabalho em condições especiais, regida pela legislação em vigor na época do exercício da atividade, é possível a conversão do tempo especial para comum, independente da data da prestação do trabalho ou do requerimento de benefício. A respeito, cabe registrar que, embora o art. 28 da MP nº 1.663-10 tenha revogado o § 5º do artigo 57 da Lei nº 8.213/1991, a lei de conversão (Lei nº 9.711/1998) não manteve o dispositivo, permanecendo a possibilidade de soma do tempo de serviço especial, após a respectiva conversão, ao tempo de atividade comum, para a concessão de qualquer benefício.

A atual redação do artigo 70 do Decreto nº 3.048/1999 estabelece que as regras de conversão de tempo de atividade sob condições especiais em tempo de atividade comum aplicam-se ao trabalho prestado em qualquer período. Contudo, o fator de conversão do tempo especial em comum a ser utilizado é o previsto na legislação vigente na data da concessão do benefício, e não aquele em vigor quando o serviço foi prestado. A matéria foi decidida em recurso especial repetitivo, firmando-se a seguinte tese no Tema nº 546 do STJ: 'A lei vigente por ocasião da aposentadoria é a aplicável ao direito à conversão entre tempos de serviço especial e comum, independentemente do regime jurídico à época da prestação do serviço'(REsp 1.310.034/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 24-10-2012, DJe 19-12-2012).

De acordo com o art. 70 do Decreto nº 3.048/1999, com a redação dada pelo Decreto nº 4.827/2003, o fator de conversão a ser observado é de 1,4 para o homem e de 1,2 para a mulher (considerando, em ambos os casos, o exercício de atividade que ensejaria a aposentadoria especial em 25 anos).

Agentes Biológicos

A avaliação da nocividade dos agentes biológicos constantes no Anexo 14 da NR-15, é qualitativa, ou seja, a simples presença no ambiente de trabalho desses agentes faz presumir a nocividade, independente de mensuração.

Ou seja, a caracterização da especialidade, nesses caso, não decorre do tempo de exposição aos agentes biológicos, nem da concentração ou intensidade desses agentes no ambiente de trabalho.

Por sua vez, a permanência e a habitualidade relacionam-se com as tarefas específicas desenvolvidas pelo trabalhador que o exponham, durante a sua rotina laboral, a condições prejudiciais à saúde. Se, no desempenho cotidiano das suas funções, ele tem contato com agentes nocivos, em período razoável da jornada de trabalho, a exposição é habitual e permanente.

Ambiente hospitalar

O argumento do INSS no sentido de que somente as atividades hospitalares que ocorram com isolamento de pacientes portadores de moléstias infecto-contagiosas ou contato com materiais contaminados por esses doentes não procede.

O artigo 236, §1º, inciso I, da Instrução Normativa INSS/PRES nº 45, de 06 de agosto de 2010, estabelece que a avaliação da nocividade do trabalho em contato com os agentes nocivos enumerados nos Anexos 6, 13, 13-A e 14 da Norma Regulamentadora nº 15 (NR-15) do Ministério do Trabalho e Emprego-MTE, e no Anexo IV do RPS, para os agentes iodo e níquel, é qualitativa, ou seja, a simples presença no ambiente de trabalho desses agentes faz presumir a nocividade, independente de mensuração.

Uma vez que os agentes biológicos constam no Anexo 14 da NR-15, a atividade não relacionada diretamente com a enfermagem, mas que exija o contato com pacientes portadores de doenças infectocontagiosas ou com manuseio de materiais contaminados, é considerada nociva. A caracterização da especialidade, nesse caso, não decorre do tempo de exposição aos agentes biológicos, nem da concentração ou intensidade desses agentes no ambiente de trabalho.

Por sua vez, a permanência e a habitualidade relacionam-se com as tarefas específicas desenvolvidas pelo trabalhador que o exponham, durante a sua rotina laboral, a condições prejudiciais à saúde. Se, no desempenho cotidiano das suas funções, ele tem contato com agentes nocivos, em período razoável da jornada de trabalho, a exposição é habitual e permanente.

Mostra-se evidente que o contato com pacientes portadores de moléstias infectocontagiosas é ínsito à funções desempenhadas habitualmente dentro de hospitais, podendo ocorrer a contaminação por via respiratória ou cutânea. Não é factível que a atuação em dependências do hospital com pacientes doentes fosse realizada de forma eventual ou intermitente, pois a atividade desempenhada, inclusive em quartos destinados ao isolamento de portadores de moléstias infectocontagiosas, integram o cotidiano do trabalho do autor.

No caso de profissões desenvolvidas em ambientes hospitalares, em contato habitual e permanente com pacientes portadores de doenças infectocontagiosas e com o manuseio de materiais contaminados, os equipamentos de proteção individual utilizados não neutralizam por completo a exposição aos agentes nocivos, diante do risco de acidentes em locais contaminados por diversidade de bactérias e vírus, cuja infestação pode se dar por via digestiva, respiratória ou por contato através da pele. Nessa esteira, já decidiu esta Corte:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRESCRIÇÃO. TEMPO ESPECIAL. LIMPEZA HOSPITALAR. AGENTES BIOLÓGICOS. EPI. CONVERSÃO DE TEMPO ESPECIAL EM COMUM. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. REVISÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DIFERIMENTO. CUMPRIMENTO IMEDIATO DO ACÓRDÃO. HONORÁRIOS. 1. Estão prescritas eventuais diferenças nas parcelas vencidas antes dos últimos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação. 2. O desempenho de atividades profissionais no interior de um Hospital, na condição de serviços gerais de limpeza, enseja o enquadramento nos Códigos 1.3.2 do Quadro Anexo do Decreto nº 53.831/64, 1.3.4 do Anexo I do Decreto nº 83.080/79, 3.0.1 do Anexo IV do Decreto 2.172/97 e 3.0.1 do Anexo IV do Decreto 3.048/99 (Microorganismos e parasitas infecciosos vivos e suas toxinas), devendo ser utilizado o fator de conversão 1,20. 3. Os equipamentos de proteção individual não são suficientes, por si só, para descaracterizar a especialidade da atividade desempenhada pelo segurado, devendo cada caso ser apreciado em suas particularidades. 4. Comprovada a exposição do segurado a agente nocivo, na forma exigida pela legislação previdenciária aplicável à espécie, possível reconhecer-se a especialidade da atividade laboral por ele exercida. 5. Os equipamentos de proteção individual não são suficientes, por si só, para descaracterizar a especialidade da atividade desempenhada pelo segurado, devendo cada caso ser apreciado em suas particularidades. (TRF4 5042106-26.2013.4.04.7100, SEXTA TURMA, Relator EZIO TEIXEIRA, juntado aos autos em 25/04/2017)

Caso concreto

No caso, a declaração do Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) - Hospital de Bom Jesus/RS (evento 1, PROCADM10, p. 7), complementada pelo PPP (evento 16, PPP3), comprova que o autor exerceu a profissão de médico junto a Fundação Amigos do Hospital de Bom Jesus desde 1981.

Nesse sentido, transcreve-se excerto dessa declaração (evento 1, PROCADM10, p. 7):

O fato de a parte autora, no período em que atuou no Hospital de Bom Jesus, ter recolhido contribuições previdenciárias a título de contribuinte individual não afasta a sua condição de médico no referido hospital.

Esclarece-se, ainda, que este Tribunal, no julgamento do processo 5054341-77.2016.4.04.0000/SC, recebido como recurso representativo da controvérsia, fixou a seguinte tese, relativamente ao Tema IRDR15/TRF4: "A mera juntada do PPP referindo a eficácia do EPI não elide o direito do interessado em produzir prova em sentido contrário." Por fim, nesse mesmo julgado, foi reconhecida a ineficácia do EPI em relação aos agentes biológicos.

A seguir, discriminam-se os períodos de tempo de serviço comum (ou especial) controvertidos:

PeríodoAgente nocivo com
análise qualitativa
Agente nocivo com
análise quantitativa
NívelLimiteEPI
eficaz
Reconhecido em sentença
01/07/1981 a 31/07/1981enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)---nãosim
01/09/1981 a 30/11/1981enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)---nãosim
01/02/1982 a 28/02/1982enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)---nãosim
01/06/1982 a 31/08/1982enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)---nãosim
01/11/1982 a 31/07/1983enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)---nãosim
01/09/1983 a 30/11/1984enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)---nãosim
17/09/1991 a 31/07/1993enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)---nãosim
01/11/2001 a 01/08/2002agentes biológicos (PPP)---nãosim
01/10/2009 a 31/03/2012agentes biológicos (PPP)---nãosim
02/04/2012 a 21/12/2012agentes biológicos (PPP)---nãosim
11/08/2014 a 13/01/2015agentes biológicos (PPP)---nãosim

Período: 01/07/1981 a 31/07/1981
Empresa: Hospital de Bom Jesus
Função/atividades: médico
Agentes nocivos: enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)
Provas: Diploma de médico datado de 12.12.1980 (evento 11, PROCADM3, p. 3), declaração do Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) - Hospital Bom Jesus (evento 1, PROCADM10, p. 7), PPP (evento 16, PPP3)

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64).

Período: 01/09/1981 a 30/11/1981
Empresa: Hospital de Bom Jesus
Função/atividades: médico (contribuinte individual)
Agentes nocivos: enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)
Provas: Diploma de médico datado de 12.12.1980 (evento 11, PROCADM3, p. 3), declaração do Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) - Hospital Bom Jesus (evento 1, PROCADM10, p. 7), PPP (evento 16, PPP3)

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64).

Período: 01/02/1982 a 28/02/1982
Empresa: Hospital de Bom Jesus
Função/atividades: médico
Agentes nocivos: enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)
Provas: Diploma de médico datado de 12.12.1980 (evento 11, PROCADM3, p. 3), declaração do Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) - Hospital Bom Jesus (evento 1, PROCADM10, p. 7), PPP (evento 16, PPP3)

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64).

Período: 01/06/1982 a 31/08/1982
Empresa: Hospital de Bom Jesus
Função/atividades: médico
Agentes nocivos: enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)
Provas: Diploma de médico datado de 12.12.1980 (evento 11, PROCADM3, p. 3), declaração do Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) - Hospital Bom Jesus (evento 1, PROCADM10, p. 7), PPP (evento 16, PPP3)

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64).

Período: 01/11/1982 a 31/07/1983
Empresa: Hospital de Bom Jesus
Função/atividades: médico
Agentes nocivos: enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)
Provas: Diploma de médico datado de 12.12.1980 (evento 11, PROCADM3, p. 3), declaração do Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) - Hospital Bom Jesus (evento 1, PROCADM10, p. 7), PPP (evento 16, PPP3)

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64).

Período: 01/09/1983 a 30/11/1984
Empresa: Hospital de Bom Jesus
Função/atividades: médico
Agentes nocivos: enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)
Provas: Diploma de médico datado de 12.12.1980 (evento 11, PROCADM3, p. 3), declaração do Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) - Hospital Bom Jesus (evento 1, PROCADM10, p. 7), PPP (evento 16, PPP3)

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64).

Período: 17/09/1991 a 31/07/1993
Empresa: Prefeitura Municipal de Jaquirana
Função/atividades: médico - Secretaria de Saúde e Serviço Social
Agentes nocivos: enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64)
Provas: PPP (evento 11, PPP5)

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de enquadramento profissional (código 2.1.3 do Quadro Anexo ao Decreto n. 53.831/64).

Período: 01/11/2001 a 01/08/2002
Empresa: Prefeitura Municipal de Jaquirana
Função/atividades: médico - Secretaria de Saúde e Serviço Social
Agentes nocivos: agentes biológicos (PPP)
Provas: PPP (evento 11, PPP5)

Em que pese o PPP não indique os agentes nocivos, é possível extrair da descrição de sua atividade de médico que a parte autora estava sujeita aos agentes biológicos.

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de sua exposição a agentes biológicos (PPP).

Período: 01/10/2009 a 31/03/2012
Empresa: Prefeitura Municipal de Bom Jesus
Função/atividades: médico
Agentes nocivos: agentes biológicos (PPP)
Provas: Declaração de tempo de contribuição (evento 111, PPP6, p. 1-3), PPP (evento 11, PPP6, p. 6-7)

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de sua exposição a agentes biológicos (PPP).

Período: 02/04/2012 a 21/12/2012
Empresa: Prefeitura Municipal de Bom Jesus
Função/atividades: médico
Agentes nocivos: agentes biológicos (PPP)
Provas: Declaração de tempo de contribuição (evento 111, PPP6, p. 4), PPP (evento 11, PPP6, p. 6-7)

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de sua exposição a agentes biológicos (PPP).

Período: 11/08/2014 a 13/01/2015
Empresa: Prefeitura Municipal de Bom Jesus
Função/atividades: médico
Agentes nocivos: agentes biológicos (PPP)
Provas: Declaração de tempo de contribuição (evento 111, PPP6, p. 5), PPP (evento 11, PPP6, p. 10-11)

Esclarece-se que a sentença não é ultra petita em relação ao período de 01/09/2014 a 13/01/2015, uma vez que há pedido, na petição inicial, de reconhecimento da especialidade desse período (evento 11, PET1). Ademais, o pedido de reconhecimento de tempo de serviço especial engloba o pleito de cômputo de tempo de contribuição comum.

Conclusão: ficou devidamente comprovado nos autos o exercício de atividade especial pela parte autora no período indicado, conforme a legislação aplicável à espécie, em virtude de sua exposição a agentes biológicos (PPP).

Em relação ao(s) período(s) 01/07/1981 a 31/07/1981, 01/09/1981 a 30/11/1981, 01/02/1982 a 28/02/1982, 01/06/1982 a 31/08/1982, 01/11/1982 a 31/07/1983, 01/09/1983 a 30/11/1984, 17/09/1991 a 31/07/1993, 01/11/2001 a 01/08/2002, 01/10/2009 a 31/03/2012, 02/04/2012 a 21/12/2012 e 11/08/2014 a 13/01/2015, a parte autora esteve exposta a agentes nocivos que independem de análise quantitativa. A sentença reconheceu a especialidade do(s) período(s), não havendo reparos a serem feitos neste ponto.

Conclusão

Analisando a r. sentença (evento 32, SENT1), observa-se que o magistrado de origem, embora tenha reconhecido a especialidade dos períodos acima indicados, não condenou o INSS à concessão do benefício previdenciário de aposentadoria, uma vez que a parte autora não preencheu os requisitos na DER.

Constata-se, ainda, que houve apenas apelação do INSS, de modo que não é possível analisar os requisitos do benefício de aposentadoria, sob pena de eventual reformatio in pejus.

Desse modo, deve ser mantida a r. sentença que reconheceu a especialidade de todos os períodos acima indicados, devendo esses períodos ser averbados no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) do autor.

Ônus sucumbenciais

Considerando a sucumbência recíproca, já que a parte autora não obteve o benefício de aposentadoria postulado na petição inicial, ficam mantidos os ônus sucumbenciais nos termos fixados pelo magistrado de origem.

Nesse sentido, transcreve-se excerto do dispositivo da sentença (evento 32, SENT1):

"Ante a sucumbência recíproca das partes, reputo compensados honorários advocatícios de sucumbência.

Deixo de condenar o réu ao adimplemento das custas, devido à isenção legal. No entanto, o INSS deverá restituir 50% dos valores das custas iniciais adiantadas pela parte autora."

Dispositivo

Em face do que foi dito, voto no sentido de negar provimento à remessa oficial e à apelação do INSS.



Documento eletrônico assinado por OSNI CARDOSO FILHO, Desembargador Federal, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 40001856679v13 e do código CRC f40c478f.Informações adicionais da assinatura:
Signatário (a): OSNI CARDOSO FILHO
Data e Hora: 6/8/2020, às 16:2:5


5000534-35.2015.4.04.7128
40001856679.V13


Conferência de autenticidade emitida em 14/08/2020 06:55:35.

Poder Judiciário
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO

Apelação/Remessa Necessária Nº 5000534-35.2015.4.04.7128/RS

RELATOR: Desembargador Federal OSNI CARDOSO FILHO

APELANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS (RÉU)

APELADO: FELISBINO LISBOA BOEIRA (AUTOR)

EMENTA

PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO CIVIL. APOSENTADORIA. RECONHECIMENTO DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. ATIVIDADE REALIZADA EM AMBIENTE HOSPITALAR. EXPOSIÇÃO A AGENTES NOCIVOS BIOLÓGICOS. HABITUALIDADE E PERMANÊNCIA.

1. O reconhecimento da especialidade e o enquadramento da atividade exercida sob condições especiais são disciplinados pela lei em vigor à época em que efetivamente prestada, passando a integrar, como direito adquirido, o patrimônio jurídico do trabalhador.

2. A avaliação da nocividade do trabalho em contato com agentes biológicos é qualitativa, ou seja, a simples presença no ambiente profissional desses agentes faz reconhecer a sua existência que prescinde, pois, de mensuração.

3. A atividade não relacionada diretamente com a enfermagem, mas que exija o contato com pacientes portadores de doenças infectocontagiosas ou com manuseio de materiais contaminados, é considerada prejudicial, não importando o tempo de exposição aos agentes biológicos, nem a concentração ou intensidade desses agentes no ambiente de trabalho.

ACÓRDÃO

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu, por unanimidade, negar provimento à remessa oficial e à apelação do INSS, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.

Porto Alegre, 21 de julho de 2020.



Documento eletrônico assinado por OSNI CARDOSO FILHO, Desembargador Federal, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico http://www.trf4.jus.br/trf4/processos/verifica.php, mediante o preenchimento do código verificador 40001856680v6 e do código CRC e5193177.Informações adicionais da assinatura:
Signatário (a): OSNI CARDOSO FILHO
Data e Hora: 6/8/2020, às 16:2:5


5000534-35.2015.4.04.7128
40001856680 .V6


Conferência de autenticidade emitida em 14/08/2020 06:55:35.

Poder Judiciário
Tribunal Regional Federal da 4ª Região

EXTRATO DE ATA DA SESSÃO Virtual DE 13/07/2020 A 21/07/2020

Apelação/Remessa Necessária Nº 5000534-35.2015.4.04.7128/RS

RELATOR: Desembargador Federal OSNI CARDOSO FILHO

PRESIDENTE: Desembargador Federal OSNI CARDOSO FILHO

PROCURADOR(A): JOÃO HELIOFAR DE JESUS VILLAR

APELANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS (RÉU)

APELADO: FELISBINO LISBOA BOEIRA (AUTOR)

ADVOGADO: ALVÂNIA CASTILHOS DA SILVA BORGES (OAB RS047906)

Certifico que este processo foi incluído na Pauta da Sessão Virtual, realizada no período de 13/07/2020, às 00:00, a 21/07/2020, às 14:00, na sequência 332, disponibilizada no DE de 02/07/2020.

Certifico que a 5ª Turma, ao apreciar os autos do processo em epígrafe, proferiu a seguinte decisão:

A 5ª TURMA DECIDIU, POR UNANIMIDADE, NEGAR PROVIMENTO À REMESSA OFICIAL E À APELAÇÃO DO INSS.

RELATOR DO ACÓRDÃO: Desembargador Federal OSNI CARDOSO FILHO

Votante: Desembargador Federal OSNI CARDOSO FILHO

Votante: Juiz Federal ALTAIR ANTONIO GREGORIO

Votante: Juíza Federal GISELE LEMKE

LIDICE PEÑA THOMAZ

Secretária



Conferência de autenticidade emitida em 14/08/2020 06:55:35.

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